Devaneio de um viajante


Discurso do súdito.
Bateu-me uma vontade de recorrer ao ombro amigo de sempre, o fiel ouvinte de todas as horas, meu leal papel. A vontade me bate sempre que coisas de mais se acumulam na minha mente, perpassam meus pensamentos e invadem meu juízo. Falam e gritam de tal forma, que quando chego perto do teclado, elas praticamente se digitam sozinhas, e a coisa flui de uma tal forma que antes que eu perceba, já se consumou.
Hoje encerrou o décimo sexto dia do quarto mês do ano de dois mil e onze, e por coincidência, também foi o décimo sexto dia de namoro. E sem dúvida o mais tenso!
Chego de viagem, cheio de vontade de reencontra-la, é uma sexta-feira, chego cedo, mas não mantenho contato imediato, ainda é bem cedo.
Quase chegando em casa, avisto logo um grande amigo a espera de um ônibus para o trabalho, amigo este que havia me tirado de um grande sufoco. Resolvi ajuda-lo, fomos até minha casa, apanhei a moto e levei-o até o trabalho. Pra mim foi um prazer, e uma retribuição de favor, como se eu estivesse devendo-o.
Tinha que voltar rapidamente pra casa, quando fora, deixei meu pai já acordado, com a promessa de que voltaria logo. No caminho de volta, resolvi passar na Conquista e visitar pessoas que eu amo. Chegando lá, encontrei minha prima ensinando português a meu afilhado, ela estava impaciente e pronta para sair. E a lição era comprida. Assumi a missão, logo um assunto que eu tanto gosto. Peguei gramáticas, e fomos aprendendo passo a passo todo o assunto, depois atravessamos pra Inglês, e uma tarefa para completar as partes do corpo. Depois de alguns arms, hands, e eyes, partimos para a lição de geografia, um resumo sobre o litoral baiano. Diverti-me bastante com ele. Olhei no relógio e o pequeno ponteiro já cobria o algarismo dez do meu relógio, e eu ainda não tinha visto nem ligado pra minha princesa. Despedi-me de Gabriel e fui para o centro. Cheguei na Biboka, estava com uma fome, mas nem pensava nisso. Pedi dois mistos em pães de sal, o preferido dela, e dois cafés com leite, bem caprichado. Um lanche matinal reforçado. Deixei a moto em qualquer lugar, e fui até lá. Cheguei na loja, e ela estava linda pra variar, me recebeu com emoção e afeto, e eu adorei seu abraço e seu carinho, senti uma sinceridade que me confortou, adorou o café, presentei também, Josy, a colega de trabalho. Pedi licença e fui pegar a moto pra mais próximo, estava tão longe, com os capacetes ainda por cima.
Quando retornei ainda estava na loja outras duas pessoas, eu naturalmente já não me sinto a vontade em estar naquele espaço pequeno, além do mais com outras pessoas. A loja é pequena, porém bem ventilada. Tem uma vitrine grande, ocupada por dois manequins sempre bem vestidos, tem um balcão no centro da loja, e outro no canto, no do centro, ficam algumas peças de roupas, e no do canto, estão as máquinas de cartão, computador, etc. Não estava confortável  naquele momento, já tinha visto my girl, resolvi partir.
Fui pra casa, dei um carinho pro meu pai, recém-acidentado coitado, com uma queimadura enorme na perna esquerda. Comi algo em casa e por lá fiquei. Por volta das 13 horas, fui buscar meu bem, ela já não estava na loja, e só fui encontra-la no ponto. Ficamos juntos por todo seu horário de almoço, até às 15 horas, pouco tempo pra tanta vontade de rever. Mas era  o que dava, e já dava a hora de voltar. Levei-a de volta ao trabalho, e nesse momento parecia que a as horas voavam mais rápido que o normal, quis ir treinar, mas o cansaço e o sono, me convenceram a ficar bem ali onde estava. Assisti com meu pai o DVD do Rafinha Bastos, e quase dormi no final. Deveria ter dormido. Ao invés disso, lembrei-me dos treino de sexta do Capitão Ferreira, lá no Centro. Vesti uma roupa e fui pra lá, era um preparativo para um torneio, e nem teve um treino como de costume. Aproveitei que já estava na academia, e dei uma treinada, nada tão pesado por conta de minha pausa com os exercícios. Treinei até as vinte horas, no caminho de casa, uma chuva pegou-me de surpresa, fiquei acoitado ao lado de uma pizzaria na dois de julho, fato que aguçou a minha fome, por conta de meu quase jejum durante o dia. Fui novamente na Conquista, mas dessa vez, já pensava em pegar o carro, já que havia combinado de sair com a gatinha de noite. Quando cheguei lá, Gabriel estava super alegre, pois tudo que havíamos estudado tinha caído em uma avaliação surpresa daquele dia. Me senti super satisfeito por tê-lo feito aprender o conteúdo. Lorena e ele, estavam acumulando coragem para comprar alguns ingredientes para um sanduiche. Me ofereci, e sai com Gabriel, fomos até o Subway, e preparamos cinco deliciosos sanduíches. Comi de lamber os dedos. Mas a noite ainda estava incompleta. Peguei o carro e fui pra casa, passei antes na casa da namorada, que já se arrumava, com brevidade nos vimos, e fui para casa. Banhei-me e arrumei-me, honestamente ontem eu não queria sair, uma chuva forte havia caído toda a noite, e a banda que iria tocar no Mar Aberto, bom, essa história eu conto depois, enfim, honestamente eu queria mesmo era desfrutar da companhia de minha bela, e namorar naquela noite fria e chuvosa.
A história foi diferente e agora começa o terror, depois do banho, fiquei fazendo um tempo, até que Débora e Edmundo, nossa companhia, chegassem, entretanto eles demoraram mais do que eu pude aguentar, e rendi-me ao sono. O sono é sorrateiro e  sagaz, quase sempre não manda aviso, chega, e se apodera da pessoa. É fortuito e comigo muitíssimo eficaz. Acordei hoje 6 da manhã, os dois celulares repletos de chamadas não atendidas, e mensagens! Perdi a noite com a madame. Será que ela foi? Passou em minha mente, mandei um torpedo amistoso, um “Bom Dia”, seco e objetivo, para medir a intensidade do sentimento dela. A mensagem não teve resposta por horas. Resolvi ligar na hora do trabalho dela, ambos os números estavam desligados, pensei como realmente estava enfurecida, a ponto de tornar-se incomunicável. Contudo em seu trabalho seria inevitável não atender o telefone. Não foi justamente o trabalho dela que me ligou quando eu pensava em telefonar? Bom Dia, eu disse, uma voz estranha nem respondeu, e já foi perguntando com quem falava, como de praxe, eu indaguei com quem gostaria de falar, secamente, respondeu que queria falar com Thais, ou com a mãe dela. Gelei! O que poderia ter acontecido para que ela deixasse de ir ao trabalho? Seria grave? Fui quase voando até a casa dela, e fui recebido pela minha sogra, que me explicava que tentava acordar sua filha já a horas, ela ouviu a minha história, enquanto eu contava, passou por mim, em sua beleza matinal minha namorada, envolta por um lençol de cama, cabelos despenteados, pés descalços e olhos entre abertos, nem com um bocejo fui contemplado, dirigiu-se ao banheiro, tomando conhecimento da hora. Fiquei contrariado, nada de grave acontecera. Ainda bem. Voltei em casa para buscar a moto e capacetes, quando cheguei novamente em sua residência, ela se negou a ir comigo, alegando não estar bem comigo. Tudo bem, totalmente compreensível o fato de eu ter deixado de sair com ela, mas não admite que fosse ao trabalho de ônibus, aproveitei para conversar no caminho, e me aborrecia a cada detalhe que contava, de ter ido sem mim, das pessoas que se aproximaram, dos comentários que ela repetia, da bebedeira que ela se envolvera, da briga que provocara, tudo estava me deixando estarrecido, adiantei a velocidade e fui pra casa. Muito chateado, e ciumado, queria tantas respostas. Quando ela saiu do trabalho, tinha ficado decidido que não era pra busca-la. Não cumpri o trato, e fui novamente até a loja. De onde já havia saído, foi quando um número desconhecido ligou-me. Retornei, e era ela, avisando-me que tinha visto-me e já estava no ponto, de onde apanhei-a e levei-a para casa, de onde só sairia pouco antes de viajar. Tentei explicar o motivo que me impediu de acompanha-la na festa, mas acho que não fui tão eficiente. Ela falou sobre a frustração por eu não ter acompanhando-a na festa, tinha seus motivos, não tão decisivos, mas eram motivos para estar chateada. Conversarmos por horas, ela desabafou, e ficamos bem. Uma pena que já era hora de retomar minha odisseia rumo ao serviço. Estou aqui viajando, enquanto ela ficou lá, já estou com saudades. Mas ainda tenho dúvidas, sobre tudo.

Comentários

  1. Amor, li atentamente tudo...
    Terça vamos conversar e esclarecer tudo isso ;)
    Pensamos e entendemos as situações de maneiras diferentes.

    Estou anciosa...
    Louca pra te abraçar...
    Passar a semana quase toda contigo e reconpensar todo o tempo perdido...
    Matar a saudade!

    Te amo.

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